"Desde o ano anterior, quando ganhara a medalha de ouro em Toronto, Artur se tornara o mais valioso integrante da equipe olímpica brasileira. Estava tudo acertado para viajarem para a Índia, sede das Olimpíadas de 1996, quando, poucos dias antes do embarque, ele avisou que não ia. Instalou-se a crise. O Brasil provavelmente deixaria de ganhar mais um ouro - e até então só conquistara cinco, incluindo o dele. O comitê organizador, do qual faziam parte matemáticos influentes, pressionou, mas Artur não transigiu. A equipe teve de partir desfalcada.
Entre o Canadá de 1995 e a Índia 96, algo muito importante havia acontecido: ele entrara no Impa. "Não tinha ideia do que era fazer matemática. Olhei e disse: é isso." A competição não lhe agradava mais. "Lá tudo tem solução, e a graça da matemática é a incerteza: você pode gastar anos lutando contra alguma coisa que talvez nunca se resolva." A pressa também o incomodava. Matemáticos não precisam tomar decisões urgentes e nenhum deles é forçado a provar uma conjectura até o fim do mês. "Matemática é feita com tempo, não existe a pressão. E eu gosto de refletir", diz Artur. "
Eu nunca poderia imaginar que Matemática avançada e poesia tinham tanto em comum... E pensar que eu já fui bem bom em Matemática...
Da matéria de João Moreira Salles na revista Piauí, Artur tem um problema
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"O que serve para a vida é banal e chato", disse Hardy, num livrinho clássico de 1940 intitulado Em Defesa de um Matemático

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