Ontem (ou anteontem) eu estava pelo Pelourinho procurando um sebo pra trocar uns livros. Eram uns livros do colégio, coisa já antiga, de 5 6 7 anos atrás, de Física, História, Geografia, uma gramática, um dicionário, uns três romances clássicos. Eu já tinha perguntado num sebo ou outro, e todos, até então, não quiseram jogo comigo. Nem trocar eles queriam! Que absurdo, eu ficava pensando... E o pior é que os livros não podiam voltar lá pra casa. Entre porta-malas e área de serviço eles já tinham se desgastado um bocado. A minha típica falta de tempo (e enrola) ... Não podia mais aquilo. Daí, depois de sair de um sebo que mais parecia um barraco, no Pelô mesmo, rumei em direção ao sebo Brandão, mas, antes de chegar, dei de cara com outro, acho que o nome era São José. O cara, como todo bom negociador, foi logo desfazendo do meu produto, dizendo que não tinha interesse por esse e aquele motivos... E o pior é que eu já estava mesmo desacreditado. Daí eu disse que poderia trocar também, e ele aceitou. Perguntei se tinha livro de poesia, ele me disse que sim e me indicou uma fileira de uma prateleira. Fui checar. Nem tinha muita coisa boa. Mas arrumei uns três, uma poesia completa de Fernando Pessoa, um de Ferreira Gullar e mais um de Manuel Bandeira, Poemas Escolhidos (pelo autor). E levei pro cara.
Vocês acreditam que ele me disse que todos os meus livros (eram 8!) só valiam 20 conto?! Eu fiquei desolado... esbocei uma reclamação, mas cedi fácil como uma parede de manteiga. Catei os poemas escolhidos pelo Bandeira e me piquei, me sentindo lesado. Eu podia ter ido embora pra Passárgada, que lá o Manuel é amigo do rei... Mas quem disse que eu sei pra que lado fica Passárgada?! Saí com o braço mais leve e com o Bandeira nas mãos. O livro tá em ótimo estado e, no frigir dos ovos (tava um calor desgraçado!), eu sei que saí ganhando. Eu sempre achei que quem sempre saberá mais sobre o poema é quem o escreveu. Eu não digo todos aqueles saberes técnicos (muito importantes até). Mas o poeta tem certos carinhos pelos seus poemas como se fossem filhos, e eu sempre me interessarei mais pelos poemas preferidos por quem os escreveu do que pelos escolhidos por outrem. Enfim (ando viciado em "enfim" ultimamente), Manuel Bandeira já me deixou paralisado no quinto ou sexto poema, do qual não consigo sair tamanho o espanto, principalmente pela última frase: "e te amo como se ama um passarinho morto". Eu sou um grande negociante...
PS:. depois conto minha história com o Quintana...
Vocês acreditam que ele me disse que todos os meus livros (eram 8!) só valiam 20 conto?! Eu fiquei desolado... esbocei uma reclamação, mas cedi fácil como uma parede de manteiga. Catei os poemas escolhidos pelo Bandeira e me piquei, me sentindo lesado. Eu podia ter ido embora pra Passárgada, que lá o Manuel é amigo do rei... Mas quem disse que eu sei pra que lado fica Passárgada?! Saí com o braço mais leve e com o Bandeira nas mãos. O livro tá em ótimo estado e, no frigir dos ovos (tava um calor desgraçado!), eu sei que saí ganhando. Eu sempre achei que quem sempre saberá mais sobre o poema é quem o escreveu. Eu não digo todos aqueles saberes técnicos (muito importantes até). Mas o poeta tem certos carinhos pelos seus poemas como se fossem filhos, e eu sempre me interessarei mais pelos poemas preferidos por quem os escreveu do que pelos escolhidos por outrem. Enfim (ando viciado em "enfim" ultimamente), Manuel Bandeira já me deixou paralisado no quinto ou sexto poema, do qual não consigo sair tamanho o espanto, principalmente pela última frase: "e te amo como se ama um passarinho morto". Eu sou um grande negociante...
PS:. depois conto minha história com o Quintana...


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