domingo, 4 de julho de 2010

I'm the Dude, man...


Fim de semana frio é tempo de parar em casa e ver um monte de filme. Ver filmes é uma coisa que faz que eu me sinta útil, dá uma sensação muito boa de que meu tempo está sendo bem gasto, pois está mesmo. Acho que o cinema é como estudar a vida na velocidade da luz, sabe?! Está tudo ali, cada expressão, reação, fala... só que tudo editado e no melhor ângulo! O que mais seria melhor que isso?! Então vamos aos filmes do fim de semana:

Rober e Eu (Michael Moore)

É, se não me engano, o primeiro documentário importante de Michael Moore. É interessante, principalemnte pra quem é fã do gordinho e de seu cinema, observar que todo o que seria feito depois em Fahrenheit 9/11 e Tiros em Columbine, os dois filmes que realmente alavancaram sua carreira, já estava ali. A tese narrada em primeira pessoa, o uso de imagens de arquivo das mais variadas, o sensacionalismo e o humor cruel, além, é claro, da empáfia de sempre, talvez seu ingrediente mais interessante. A história gira em torno do fechamento de fábricas da GM na cidade natal de Moore, levando o lugar à falência, e da tentativa do diretor de entrevistar o presidente da empresa. Sinceramente, não achei lá essas coisas (o tempo fez bem à Moore e teorias da conspiração lhe caem melhor), mas vale a pena dar um saque.
Detalhe engraçado: lendo agora na wikipedia, descobri que Moore foi DIRETOR da sua escola com 18 anos...

Annie Hall (Woody Allen)

O nome do filme, aqui no Brasil, é Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Tenha santa paciência, né?! O filme é bacana, mas creio que agrada mesmo a quem curte o humor de Allen, sempre cheio de referências, sarcasmo, auto-elogio etc. Os filmes dele, na grande maioria das vezes, me parecem teses ilustradas, e esse não é diferente. É indiscutível, porém, que o baixinho criou um estilo próprio e, volta e meia, com ótimas sacadas cinematográficas. E como eu sou um dos que gostam dele, está recomendado, é bem bom. E pra quem liga, ganhou Oscar de melhor filme, diretor, roteiro e atriz.

O Grande Lebowski (Joel Coen)


Mas o filme da vez foi esse aí. Uma coisa me incomoda: às vezes se arrasta um pouco, parece que as situações são prolongadas mais que deveriam, que a trama devia ser encurtada e tal. Mas, a cada filme dos irmãos Coen (nesse, a direção é só de Joel, mas é a dupla no roteiro, enfim) fico com vontade de assistir a mais coisas deles. E olha que não gosto de Fargo, o queridinho da galera. Mas não tem pra onde correr. São autores, filmam como poucos hoje em dia, tem uma direção de atores diferenciada e, o que mais chama a atenção: o interessantíssimo retrato que fazem do povo americano. Em contraste com o que se vê no cinema hollywoodiano classicão, os irmãos estão interessados em anti-heróis, no que eles têm de mais pueril, patético e peculiar. Sobre esses personagens, desdobram-se os olhares na obra dos Coen, o que faz de sua filmografia, a meu ver, uma das mais importantes fontes de estudo da sociedade americana média. Voltando ao Grande Lebowski, que camarada bacana é o Cara que dá nome ao filme! Um vagabundo de bem com a vida, cachaceiro e gente boa, que não quer nada mais do que um tapete para a sala e jogar seu boliche. Viagens psicodélicas, carros estraçalhados (pq será, hein?!) e amizade a toda prova. Dos que já ví, é o olhar mais carinhoso sobre esse povo tão estranho e interessante. Como qualquer outro, mas com o poder nas mãos.

Cartaz bonitão.

* Lembrando de outra coisa, que percebi agora, os carros podem ser usados para uma análise supimpa juntando os três filmes. Como todos sabem, automóveis são o símbolo-mor da sociedade estadunidense. Seu poder mecânico, desenvolvimento industrial, potência e futilidade. Nos três filmes eles estão presentes. Em Roger e Eu, é parte essencial, a GM e sua ligação com a cidade (a fazendo quebrar sem a mínima consideração, mesmo tendo nascido ali), o depoimento do almofadinha numa festa, dizendo que os carros representam a revolução industrial americana, o nascimento do império nas linhas de montagem. O personagem de Woody Allen, que tem carteira de motorista mas não dirige pois diz tornar-se muito agressivo de posse de um possante , e, por fim, a lata velha de Dude, nem aí pra essas coisas, cada vez mais esbagaçado durante o filme, além do carrão vermelho destruído por engano por Walter.


PS:. Os textinhos sairam uma merda, mas confiram os filmes, eles valem mesmo a espiada.

1 comentários:

carolina disse...

com muita propriedade, dude.

 
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